
Algum sentido
Resulta da espera infinita muito mais do que se pode colher, a verdade não se esconde atrás de garrafas vazias.
Pra um amor que não quer deixar de ser amor, apenas um pouco mais de calma, para se completar a adaptação do ambiente a essa falta que não é só dor.
Quem sabe até não existe mais dor alguma, toda essa vontade se resuma a esperança de quem um dia voltaras por portas entre abertas a dizer eu te amo.
As cortinas escuras lacram o sol e não deixam que se lembre que há vida lá fora, longe dessa janela que permite ocultar meus sofrimentos mais íntimos.
Meus medos insistem em realidade se tornar, antes fosse a minha queixa um brinquedo que deixei de ganhar, uma comida que minha mãe na cozinha deixou de fazer.
A este homem cabe a certeza de que o primeiro amor passou, o segundo amor passou, o terceiro amor passou e desse terceiro talvez o mais covarde.
Há de um dia voltar a ver homens plantando flores, perdoando as arvores, mesmo que essas mal nenhum tenham feito.
No instante mais covarde, teus lábios muito mais vermelhos e insinuantes do que aquela velha maça, mais vermelha que o próprio vermelho, afogada em desejo. Onde a bruxa do conto de fadas a entregava, ela, a bruxa, destruída pela inveja, da pura beleza, da moça branca e inocente.
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