
Em memória a uma bandeira
Como se fizessem desses dias que tenho vivido o ultimo, não sei mais, se ainda sei de alguma coisa concreta alem das certezas que são impressas nas bulas dos remédios.
No banco de madeira, deposito meus ossos, ossos que tem me acompanhado tão fielmente todos esses anos em que busco algum sentido ainda omitido.
Tenho que discordar, a carne não é fraca, nos meus delírios e fantasias mais absurdos ela se faz forte para o corpo agüentar a pressão da mente.
Um ultimo gole, da ultima gota, da ultima reserva de água do planeta, mas isso não importa pra você, afinal, seu corpo é composto por 70% de refrigerante.
Sim, um ultimo amor, do ultimo coração que ainda pulsa e ama nesse planeta, mas isso também não importa, afinal, nunca amou nada que não fosse você na frente do espelho.
Do meu corpo não escorre mais suor, permito ao suor descanso eterno, na jazida do ouro que os portugueses perdoaram.
Na bandeira de minha pátria roubaram as cores, num apelo silencioso, num grito reprimido, em um gemido cruel de dor, depois da tortura impiedosa, talvez do ultimo comunista que se fez homem.
Hay que endurecer-se pero sin, perder la ternura jamas!"
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