quarta-feira, 29 de agosto de 2007


Velho amor novo


Escrevo hoje por que tenho sede,
não estou buscando nada mais
do que preencher as lacunas
onde só habitam
vários pontos de interrogação,
sinto o tremor e os clarões.
Vejo de cima minha alma
a sinalizar imperdoavelmente o alerta,
mas já, tarde demais,
coração a oscilar notavelmente.

O café esta negro, tão puro, forte e lindo,
como aquela mulata que um dia no pilão
numa senzala esmagou em muitas poesias passadas.
Minha velha pretensão de ter o que amo,
agora simplesmente, não se faz pretensão,
apenas o coração batendo por paixão.
Caiu cedo demais
alguns orgulhos quaisquer,
que deviam junto aos cabelos,
cair somente após alguns muitos anos.

Longe do meu lado
cultivo o sofrimento herdado
de outras vidas,
não me vejo com filhos ou criando gado,
praticando algum esporte raramente talvez.
Sim. Algumas esperanças desse homem se perdem,
mas torna a se cruzar novamente
na próxima esquina,
que torno a pensar nela.
Fica amor sempre e em tudo.

Caro amigo,
em vão, tento consertar,
soldado de uma guerra invisível e sombria,
mas, não citarei moinhos nem cavaleiros malucos.
Hoje escuto uma sinfonia composta há muito tempo.
Encontrei abrigo no som desse piano que toca no radio.
Radio radio, não me deixes sozinho.
És o único a me acompanhar uma prosa.
Sim me golpearam ao longo dos anos.
Mas ficou amor, na vaga, no silêncio e no frio.


Nenhum comentário: