quinta-feira, 20 de setembro de 2007


Bem longe do parnasianismo e bem perto do modernismo e toda liberdade herdada das outras gerações (terceira geração/modernismo brasileiro) tentei escrever um soneto, sem pretensão alguma, li sobre versos decassílabos, dodecassílabos ou alenxadrino, não cheguei a uma conclusão do que escrevi, se poderia ou não chamar de soneto, mas o chamei de soneto, pelo menos a intensão foi sincera.



Primeiro soneto


Essa distancia impõe limites a duras penas
Do alvo inicial seus olhos azuis me focam
Numa forma crua moldo todo meu eu
A ti devo a graça de ser e não apenas estar


Ânsias envolvem sonhos reais em todo sono
Deixo amor por ti e em tudo que precisas
Inerte na solidão os dias fazem doer sem pena
Na métrica imposta escapo pra senti-la


Nas alcoólicas sombras o nu gera arte
Se escreveres é por que tens sede, ó amor
Abandonar esse perigo talvez se faça mais perigo


Atrás da luz das estrelas do pacifico te amarei
Mesmo com tanto valor todo ouro é somente teu
Ah! O amor retira a limitação da distancia imposta

quarta-feira, 12 de setembro de 2007


A ela

Da esperança infinita se constrói o que se almeja, ou se ama e amarei
Cada superfície lisa, reta e abstrata em meu corpo se fundira no seu
Não chegará ao fim da festa intima que reservo pra ti, meu único amor
Tenho sede de teu calor imenso, inerte na minha alma que busca a tua

Na crua ânsia que a distancia impõe, fronteiras e desertos penetrarei
Tão pouco a úmida e solitária certeza de que um dia chegarei a vê-la
Saudade, ó saudade impiedosa, cravaste teu punhal de ouro em meu peito
Arde e sangras, cavalgara distantes milhas, mas sem trégua, se rendera jamais

Exato teu perdão quando mais precisou se fez amor e por honra sorriu
Absurdas náuseas te tontearam, mas ceder, jamais, soldado forte senhor!
Corações alados és os únicos que não acompanham uma embriaguez covarde

Da solidão não escaparas ileso, mas amor resistira sempre em sua blindagem intrasponível
Das mais altas torres , majestosas muralhas protegeram o homem que sabe amar
Amargarei a caverna amarga, sendo também recinto onde finco minha existência

terça-feira, 11 de setembro de 2007


Uma música versão... coração.::::::::::::::::::::::

Prá Rua Me Levar
Ana Carolina e Seu Jorge

Não vou viver, como alguém
Que só espera um novo amor
Há outras coisas
No caminho a onde eu vou...

As vezes ando só
Trocando passos
Com a solidão
Momentos que são meus
E que não abro mão...

Já sei olhar o rio
Por onde a vida passa
Sem me precipitar
E nem perder a hora
Escuto no silêncio
Que há em mim e basta
Outro tempo começou
Prá mim agora...

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você...

É!
Mas tenho ainda
Muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz
E que ainda não cumpri
Palavras me aguardam
O tempo exato prá falar
Coisas minhas, talvez
Você nem queira ouvir...

Já sei olhar o rio
Pr'onde a vida passa
Sem me precipitar
E nem perder a hora
Escuto no silêncio
Que há em mim e basta
Outro tempo começou
Prá mim agora....

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
(Se acender!)
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você...

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
(Se acender!) (Se acender!)
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você...

Vou deixar a rua me levar

segunda-feira, 10 de setembro de 2007


Caverna amarga


No rosto agora aquele sorriso maroto que nunca compreenderas.
Deixo no silêncio de encontro ao mais profundo, tudo isso que sou,
Naquela cafeteria, enquanto acompanhado da minha sombra pensava sobre a vida.
Caminhos tortos, porem, o que de sinuoso havia ficou para traz, em alguma dobra mal dobrada.
Não mais amarei o que de longe me faz ser fraco, não mais substancias a me anestesiar,
Nesse corpo talvez falte o calor que poderia encontrar em qualquer boteco, onde senhores sem saber fazem a mais verdadeira e sabia filosofia.
Escorrem algumas coisas desse montante de prazeres, mas ó, não, esquinas imundas não merecem minhas lastimas muito mal pesadas.
Se quiseres entender, procure o que se faz mais incompreensível nessas horas onde vale muito mais um abraço sincero, do que maletas amarrotadas de falsos amores.
Senhor, que Deus se sabe Deus e nunca se rendeu a uma bela dama bem apanhada, sem mais injurias ao cristianismo, seguirei minha estrada ainda não pavimentada.
Se há razão na poesia, permita ao poeta ao menos uma ilusão honesta, celebrem com as devidas honras o romantismo romântico.
Em um discurso amargo direi:
-Aqui jaz o velho romântico, que fique ao menos do velho todo seu amor, ele amou, e foi só, simplesmente e covardemente só.
Algumas vezes em palavras retóricas, nesse presente nublado, muitas vezes mais, espada
mística do amor.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007



Não é nada pessoal, algumas coisas coincidem, como pra ti, tambem pode coincidir. Uma breve historia...



Amor cancerígeno


Cigarros queimam, enchem até a boca de carência o cinzeiro manchado de preto, olhos vazios esperando a lua entrar pelo buraco, onde a janela se escondia. Lá do outro lado existem garrafas de carência que tomaremos até esgotar toda solidão.

Sua infância havia sido regada de afeto, compreensão, nunca lhe faltara nenhum tipo de amor, em nenhuma ocasião fora vilipendiado por alguém do seu circulo de convivência, exceto que, lhe faltava amor a si mesmo, isso já bastava para, mesmo que internamente seja zombado, humilhado secretamente por um eu repulsivo, sem sentido no que buscava, mas não, não compreendias, sua beleza era incontestável, garoto visivelmente sem direção, pelos bares atrás de corpos quentes, cigarros incógnitos (aliviava no cigarro qualquer dor), sem lua, sem estrelas, luzes amarelas e vermelhas na sua cabeça, tua beleza incondicional não o protegeu da estupidez humana. Quilômetros a frente da fonte da vida, Luzia sua irmã mais nova cantava, se completava sem precisar nada mais que uma boa canção pra satisfazer e encher sua bolha de vida. Até o dia que teria contado com a imagem escura da morte pela primeira vez, era amor, sem prévio aviso. Os dias contavam passos, as noites contavam dias, os passos, por sua vez, desviava-se do destino, aquela era uma cidade do interior, mas não era tão pequena, até grande em seus limites territoriais, mas desfalcada de cultura e otimismo para aqueles que a cabeça já havia sido aumentada por novas idéias. Nas entrelinhas de um poema qualquer, o poeta pessimista se lamentava pelos homens que o coração já, tão negro estava que quase zerava qualquer esperança. Mas é essa talvez a razão, Alberto irmão de Luzia, primeira pessoa aqui citada, era, não, não era igual a todos que aquela idade deviam mais é se preocupar com o futuro, uma carreira solida, ficar rico e gordo ou um sexo vazio em algum canto sujo. Sem que percebesse já traçaria sua passagem por este mundo com apenas o amor que carregava junto a seu coração. Preferiria, acho que se pudesses escolher, escolheria sim, algo que não causasse tanta dor. Mais numa opinião pessoal acredita esse homem que vos escreve que, em algum ponto disso tudo, exista um Deus, que de algum modo salva aqueles que fieis são a tudo que no amor se consiste. Voltando a Alberto, deixando de lado qualquer descrição mais profunda de seu aspecto exterior, era belo e só (nos dois sentidos). Como se pode cobrar de alguém algo mais, se sabe certamente que aquele alguém segue seus instintos, pois, por mais primitivo que sejas, é guiado somente pela paixão que tens a um amor, amor esse, que até se priva de uma vida, ou ela toda a dá por algo que se possa chamar de meu amor, amor eterno senhor. Segue a humanidade a um incalculável tempo, a buscar evolução, a ter o luxo em meio uma imensidão de lixo tecnológico, se antes a guerra era ao menos honra, hoje, um mero comércio armamentista, onde por um mercado consumidor por mais irrisório que seja, já se constrói um bom motivo para matar e sujar fardas com sangue de bebes. Mas aqui, deixarei longe qualquer principio ideológico. Então, volto a me focar em Alberto, certamente se rei Artur fosse vivo, convidaria Alberto para ser um de seus principais cavaleiros, se não, o mais importante, pois dos filhos de meu Deus, batalhador como esse, livro sagrado algum já teve o prazer de contar sua historia, sem moral semelhante à de livros de auto-ajuda. Mas triste é, moral nenhuma se tirar, pois as mais desoladas colinas, as secas mais imperdoáveis, as tempestades mais devassadoras, não podem ser comparadas a dor do luto de um amor, amor esse que como um raro vaso medieval chinês despedaçado, não existe conserto que repara fielmente aquela porcelana, agora extinta porcelana. Os ventos trazem marcas das ruas e do coração de Alberto, não entrarei em detalhes sórdidos sobre a moça por quem se apaixonou, mas que fique claro qualquer uma não seria, pois rapaz igual a esse, certamente não se apaixonaria pela garota mais bonita da escola, pelo simples fato de bela ser, onde as mentes ainda não formadas de um colégio, sempre colocam as mais belas num patamar acima de todas as outras, foi como disse, mentes ainda não formadas de qualquer colégio, por que os anos seguem, transformam mentes e a beleza imperdoavelmente. Sim, seguem os anos e segue também Alberto, notavelmente sofredor, carrega junto ao seu eu mais profundo e honesto, seu amor, a paixão que traz sentido aos pensamentos, pensamentos que se ligam um no outro, como aquela certeza que devíamos ter, de que tudo o que fazemos é mera conseqüência daquelas primeiras coisas que já fizemos e automaticamente de nossa memória fora deletado. A vida reservava algo para Alberto, ela, friamente no auge do mais covarde egoísmo em declarações em vias de se considerar no mínimo sinceras, que o amava, mas Aberto sentia que ali, nesse mundo não se encaixava. Mas com certeza, que ela apareceria em qualquer exame medico de Alberto, afinal, estava presente em todo seu corpo. Longe de qualquer romance barato, acima de finais esperados. Na linha da vida de alguma mão devia estar escrito que corações se partem, sem nem ao mesmo terem sido tocados. Os exames médicos mostraram que o corpo de Alberto tinha algo que não devia ali estar, era um tumor no coração (raro tumor), sim, exatamente no coração, cravado na carne, impiedoso câncer que a cada novo segundo crescia e se espalhava pra outros órgãos.
Alberto... Alberto morreu sorrindo e suas ultimas palavras foram: - Mesmo sem beijos molhados ou palavras açucaradas, eu vou te amar.

Velório não aconteceu como seu desejo, seu corpo fora cremado. Suas cinzas habitam uma pequena caixa de madeira na estante do escritório de sua amada, hoje, casada e psicóloga.